É Natal…
O mundo em que vivemos imerge-nos em dias intensos e apressados. O tempo parece fugir-nos por entre as agendas cheias e um trabalho que se multiplica, num assombro de ruído intenso que não nos deixa escutar quem passa e nos quer dizer algo.
Este ruído interior e exterior, parece não dar tréguas. Na televisão, vemos guerra, violência, intolerância. Nas redes sociais, encontramos confronto, pressa em julgar, dificuldade em escutar. No trabalho, por vezes deixamo-nos absorver por uma competição talvez fútil e sem sentido aparente.
E, eis-nos no Natal!
O Natal tem um significado de tal forma infinito, que Ele próprio, por vezes parece imergido em ruído.
O Natal é um ato de fé: um Menino que nasceu lá longe e que se tornou símbolo de uma comunidade de crentes.
O Natal é história: aconteceu num determinado espaço temporal.
O Natal é cultura: é uma tradição que passa de geração em geração.
O Natal é economia: luzes, compras e mesas fartas.
Mas, acima de tudo, para crentes e não crentes, o Natal emerge alegria. A alegria de um dia diferente, do encontro ou reencontro de famílias e amigos, da partilha de prendas e sorrisos, da arma que se cala para um breve instante de paz.
Esta alegria é de tal forma contagiante que chega a parecer extremamente fogaz. Porquê apenas neste dia?! Se o celebrarmos com esta essência por 1 minuto que seja, já valerá a pena.
No entanto, o Natal também é silêncio.
Pensemos na sua origem: é um Deus que se faz homem, não se impôs pela força, assumiu-se humilde, frágil, despojado de riqueza e de poder. É-nos apresentado num recém-nascido frágil, dependente, numa manjedoura, sem riqueza, nem ruído.
Na sua essência, este tempo que vivemos recorda-nos que a verdadeira riqueza não está no poder, mas no serviço. Neste mundo cada vez mais toldado pelo ódio e pela intolerância, onde a guerra tenta resolver conflitos através da destruição do adversário, a solução pode ser tão simples como amar e não, impor!
E nisto, o Natal transforma-se em algo tão grande que transcende credos, origens e condições.
Vamos parar, neste Natal! Vamos olhar o essencial! Vamos dar tempo à família, aos amigos, aos que estão sós e não têm com quem o partilhar! Vamos reconhecer cada pessoa como sendo única e a mais importante, independentemente da sua origem, crença ou condição!
Celebrar o Natal é um ato nobre, que nos impele a divergir do cinismo, da indiferença e da pressa que desumaniza. É caminhar na esperança. Não é um ato de magia, mas um caminho diário de amor concreto e humilde.
No final de contas, o Natal é algo muito simples se nos recordamos que, mesmo no meio de todo o ruido, da guerra e da intolerância, há em cada um de nós uma luz que continua a brilhar, pequena e frágil, mas com um grande poder transformador.
Costumamos dizer que sozinhos não transformamos o mundo, mas cada um de nós é essencial para operar essa transformação!
Feliz Natal!!!
Filipe Cruz | F3M Training Centre Director
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